quarta-feira, 8 de junho de 2011

17

Meio-dia, não tem comida pronta e você está com fome. Abra a geladeira e acharás tomate, cebola, cenoura e salsicha. O que farás? Um cachorro quente puxado no vegetal? NÃO, reúna tudo com um miojo qualquer de sua preferência e siga a receita:

Miojo misturado nº7

INGREDIENTES:

- 1 tomate médio.
- 1/2 cebola.
- 1 cenoura pequena.
- 2 ovos.
- 2 salsichas.
- 1 miojo qualquer.
- sal à gosto ou o próprio tempero do miojo, tanto faz.

MODUS OPERANDI:

Pegue uma panela média e coloque água suficiente pra cobrir todos os ingredientes. Bote pra aquecer em fogo baixo. Pegue as duas salsichas e bote em outra panela, pra cozinhar separadamente e tirar um pouco do corante de urucum delas, senão o caldo vai ficar vermelho demais.

Enquanto a água aquece devagar, pique ou fatie a cebola e reserve. Corte o tomate em rodelas, e reserve também. A cenoura pique em rodelas bem finas, BEM FINAS! Se as rodelas ficarem grossas demais não vão cozinhar direito e vão acabar ficando duras.

Não te mandei lavar os vegetais porque é algo óbvio, e em tempos de infecção letal por E. coli, isso é nada mais que bom senso. Podemos não estar na Europa, e os jornais dizem que é seguro, mas não custa nada né? (eu sei que você vai ferver tudo, mas porra, larga mão de ser preguiçoso)

Ok, quando você terminar de picar tudo a água já vai estar numa temperatura boa. Bote tudo lá dentro e aumente o fogo.

Aí você vai ter que esperar um pouco mesmo, ligue a tv ou cante uma música, mexendo os vegetais de vez em quando com cuidado.

Quando você perceber que os vegetais jão estão quase cozidos, junte o miojo à água. Pode abaixar um pouco o fogo e tanto faz se você gosta do miojo completo ou se vc quebra ele em pedacinhos, não deixa de ser macarrão. É uma boa idéia colocar as duas salsichas junto também, elas já devem estar num ponto bom, e não vai mais deixar o caldo tão vermelho.

Agora veja bem, o tomate já dá um vermelho no caldo, mas é aquele vermelho natural, não aquele vermelho nojento de água de salsicha. A salsicha é cozida em outra panela mais pela estética do prato.

Quebre os dois ovos em cima de tudo e deixe que afundem. NÃO MEXA. O grande lance é que as gemas continuem inteiras, se você mexer eles vão se desmanchar na água.

Aguarde até que o macarrão fique todo mole ou que as gemas estejam cozidas e desligue. Coloque sal a gosto ou o tempero do miojo, e sirva.

Acho que rende pra umas 3 pessoas comerem e ficarem bem satisfeitas. Eu como sozinho, mas fico totalmente imprestável depois, capaz de dormir por horas.

BON APPÉTIT!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

16

Cheguei na passeata meio preguiçoso, esperando que não acontecesse nada demais naquele dia. Certo que vi vários policiais pelas esquinas até chegar no local combinado, bem como cordões de isolamento e cones. Não me importei.

Chegando na aglomeração comecei a conversar amenidades com algumas pessoas, o pessoal estava bem tranqüilo e o clima era pacífico. Então deu a hora marcada e começamos a caminhar timidamente pelas ruas vazias, com a polícia nos encarando. As pessoas andavam lentamente, algumas com cartazes, outras com camisetas expondo seus pontos de vista. Mas eu não me importava com nada disso, só tinha ido lá porque não tinha mais o que fazer mesmo, e aparentemente simpatizava com a causa.

Conforme caminhávamos, percebi que a atitude dos policiais foi mudando. Primeiro suas expressões foram do desinteressado e observante pro nervoso e impaciente. Depois, quando alguns cordões de isolamento foram rompidos, começou um leve empurra empurra. De uma hora pra outra a multidão dispersou, e eu me vi caminhando junto com mais umas 4 pessoas.

Foi aí que começou a dar merda.

Não escutei nada, mas uma pessoa do grupo me dizia que tinha levado um tapa de um policial. Um pouco mais em frente achamos um sujeito com os olhos irritados dizendo que tinha sido atingido por uma bomba de gás lacrimogêneo. Achamos mais pessoas na mesma situação pelo caminho. E em uma dobra de esquina próxima ao largo de Pinheiros (só então consegui identificar o lugar em que estávamos) vimos uma parede de policiais jogando granadas de efeito moral. Corremos.

Uma garota do grupo não conseguia nos acompanhar, então a peguei pelo braço. Como estava quase a arrastando, e vendo que era pequena, achei que seria mais produtivo se a levasse nas costas e a fiz subir em mim. Em determinado ponto vi uma rua vazia que daria na Rebouças, poderiamos escapar por alí, e corri como o vento. Ví que outras pessoas na frente tinham tido a mesma idéia, e ví também que soldados do exército haviam montado um lança granadas posicionado estratégicamente numa rua paralela. Não achei que fossem capazes, mas fizeram o lançamento e atingiram em cheio o grupo que ia a nossa frente, e eu os vi desaparecer numa nuvem vermelho amarelada. Dei meia volta e corri ainda mais rápido (se é que era possível, com o peso extra de uma garota pequena nas minhas costas).

Achei uma casa com portão estreito e frágil, que chutei pra abrir. Entrei na casa, eu e a garota que agora caminhava ao meu lado, e fomos avançando. Era uma casa que não se estendia horizontalmente, e sim verticalmente, mas pra baixo. Fomos ao subsolo, achando que estariamos mais seguros de bombas, quando achamos a família de ocupantes (uma mulher e suas duas crianças) protegidas por um cobertor. Ela nos recebeu com um sorriso e nos sentamos, nos sentindo seguros. Ela nos serviu café e começamos a conversar.

Foi quando eu ouvi "e isso é tudo culpa daquele goleiro fulano...".

Aí eu me toquei que tudo aquilo tinha a ver com futebol. Eu simpatizava com a causa da passeata, mas até então não tinha parado pra pensar sobre o assunto de fato. Ignorei completamente os dizeres nas placas e camisas dos participantes. Só então percebi do que tudo aquilo se tratava.

Me achei um idiota e acordei.

sábado, 14 de maio de 2011

15

Se imagina aí, 10:30 da noite, você sentado na sua poltrona e assistindo seu programa favorito na televisão. Se você olhar pela janela vai ver nuvens acinzentadas carregadas, o prenúncio de uma tempestade. E você na sua sala, sentado e possivelmente coberto, quente e confortável.

De repente um raio cai sobre a distribuidora de energia elétrica do seu bairro, causando um fluxo de energia maior que o normal, queimando sua televisão e mais algumas lâmpadas da sua casa. A sua diversão sem mais nem menos acabou. Você fica puto, porque vai ter que comprar uma tv nova, e nem sabe se foi só ela que queimou, quem sabe outros eletrodomésticos também? Mas você resolve se deitar, já é tarde, amanhã você se preocupa melhor com isso.

Agora imagina, com a queda desse raio solitário que queimou a sua tv, na explosão de faíscas dentro do aparelho quantas milhões bactérias e outros seres microscópicos foram simplesmente incinerados na fração de segundos.

Em uma escala galáctica, se o nosso sol resolvesse explodir de uma hora pra outra o número de seres humanos mortos no planeta seria equivalente ao número de seres microscópicos mortos dento do seu televisor no momento em que ele queimou. (ok, forcei a barra no número)

Mas nós estamos seguros. Não há nenhuma explosão ou implosão programada do sol pelos próximos 6 bilhões de anos.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

14


Eu me lembro até hoje da primeira vez que escutei essa música. Já era grandinho e já tinha visto em filmes a Ku Klux Klan em ação, suas cruzes pegando fogo, enforcamento de negros no sul estadunidense... era bem assustador.

Mais assustadoras foram as imagens que a letra causou na minha mente. Na época eu era um iniciante nas aulas de inglês, então ao tentar traduzir qualquer letra em inglês eu simplesmente pegava as palavras que eu conhecia e inventava o resto de uma forma que me fizesse sentido. Primeiro imaginei que a KKK seqüestrava bebês negros pra cometer atrocidades, como transformá-los em escravos... ou pior. Depois imaginei que seqüestrassem bebês brancos pra fazer lavagem cerebral desde cedo e transformá-los em fanáticos nazistas, o que me soava tão assustador quanto a primeira opção. Então eu pensei melhor em outros significados da palavra "baby" e cheguei à conclusão que a KKK provavelmente seqüestrava garotas inocentes, brancas ou negras, pra servirem de escravas sexuais ou simplesmente pra exigir o resgate de suas famílias pra poderem financiar suas atividades criminosas. Imaginei se isso seria uma prática comum da organização. Imaginei isso pra todas as opções.

Alguns anos depois descobri que o Joey Ramone escreveu essa letra como uma forma de ataque ao Johnny Ramone, que tinha "roubado" sua namorada. Johnny sempre foi o membro da banda com uma postura mais voltada pra extrema direita, por isso o título de "kkk".

Acho que prefiro os significados que eu tinha imaginado.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

13

Acho que faz um pouco mais de 10 anos que a indústria da música começou a receber os fortes golpes da pirataria digital. Nesse meio tempo, muita coisa aconteceu, gravadoras foram fechadas, músicos mudaram de ramo, o metallica brigou com o NAPSTER... entre acusações de roubo e rompimento dos direitos autorais, tamos ae: todo mundo baixa mp3, até os próprios músicos, que aparentemente desistiram da luta.

Mas vamos ver, suponhamos que você tem uma ocupação fácil, que não exija muito de você (talvez aprender a tocar um instrumento, mas isso qualquer um com mãos faz)(às vezes nem de mãos você precisa), e que é muito rentável. Você compra carros de 500.000,00, e mansões de 30.000.000,00. Rios de mulheres querem se deitar com você, e a sua única preocupação é não se atrasar pras sessões de fotos e shows. Os shows têm em média uma hora e meia, e num bom ano você trabalhar cerca de 200 horas nas apresentações e o resto do tempo fica enrolando pra gravar o próximo disco. Se ponha nessa situação e reflita: você ia querer largar essa vida fácil assim? Talvez seja justo se sentir ameaçado e querer brigar. Mas eles pararam e ao que parece continuam RICOS.

Isso que me estranha. O fato de downloads ilegais serem tão NORMATIVOS, e os artistas ainda aparecerem com muita grana por aí. Eu acho que se gaste mais grana do que se ganha com rádio, e discos... qualé, dá pra você contar com os dedos de uma mão só quantas pessoas você conhece que compram discos hoje em dia. E downloads pagos também são coisa rara, não conheço uma pessoa que já tenha comprado mp3 na vida. (só aqueles patos que compram de camelô)


Esse cara só toca algumas músicas no violão, faz uns efeitos de video e lucra 20.000,00 por mês. Não tou botando o talento dele em discussão, de forma nenhuma! Ele toca muito bem o violão, mas o grande lance são os truques de video que ele faz. Ele é um sujeito talentoso, que exibe sua arte pra qualquer um de nós de graça, mas ainda assim recebe grana dos anunciantes aleatórios que aparecem na parte de baixo do video.

Agora pega aqueles canais VEVO do youtube. Todos esses canais têm a permissão dos artistas de exibir os videos. Cada um desses videos têm milhares de acessos, logo, devem ser rentáveis. E os artistas têm uma participação. Não só isso, já viram como o myspace é CHEIO de anúncios?

Eu tava pensando sobre isso ontem, e antes tarde do que nunca saquei como os músicos e qualquer tipo de artista faz uma grana na internet hoje em dia. Eu só não imaginava que desse pra fazer TANTA grana... sou ingênuo e meio burro, confesso.

Antes que eu me esqueça, agora sim eu sei o porquê daqueles capitalistas do Monty Python terem colocado seus videos no youtube... esse pessoal não tá de bobeira, mesmo.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

12

Inventei um molho ontem.

É bem fácil de se fazer, vai creme de leite, molho de tomate e umas esguichadas de molho de pimenta. As quantias ficam ao gosto de quem vai comer, mas eu boto duas colheres de sopa de creme de leite, uma e meia de molho de tomate e o tanto que ficar bom de pimenta.

Experimentei com Club Social e no pão francês. Ficou bom em ambos.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

11

2006

Madrugada qualquer, altas horas, vou andando pela rua.

Quando vê, pimba, me dá aquela vontade de aliviar a bexiga. Poderia muito bem encostar em uma árvore qualquer e pronto, mas lá na frente vejo a luz do que parece ser um boteco aberto. Oras, melhor mijar na privada que na rua, claro.

Entro, ambiente sossegado, alguns senhores que já passaram dos 50 jogam bilhar e o dono do bar fica encostado no balcão bem preguiçoso. Na tevê, um dvd da Fafá de Belém toca.

- Fala cara. Beleza? Posso usar o banheiro, onde é?
- Pode sim, é alí no fundo.

Enquanto tou lá dentro noto que a Fafá pára de cantar e começa sem mais nem menosa música do crazy frog. Sim, aquela.

Quando saio do banheiro me deparo com a cena. Todos os senhores que jogavam bilhar agora dançam de forma coreografada a música do sapo e o dono do bar se diverte com a cena, rindo e rindo. Eu não sei o que pensar da cena e saio do ambiente o mais rápido possível.

De vez em quando me lembro dessa história verídica.